sexta-feira, 28 de agosto de 2009

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Mais um parêntesis.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Um parêntesis. Ou talvez não*.

Há coisas que me deixam muito nervosa. É o caso do TGV. Oiço falar no assunto e começo a fervilhar.

E o que é que me enerva? Enervam-me dois aspectos: um na generalidade e outro na especialidade. Na generalidade este nosso, tão possidónio, novo-riquismo dos mega-projectos... 'tem de ser o TGV, claro, e tem de ser em grande! Agora é que Portugal fica ligado ao centro da Europa, é agora. E ai de quem diga o contrário, são uns velhos do Restelo que penhoram o futuro do país. Deviam ter vergonha, ai pois é...'

Depois, a especialidade e aquilo que ao dito comboio diz respeito:

Tenho muitas 'milhas' de comboio, nacionais e estrangeiras (se houvesse cartão de pontos...). Em 1993 fui estudar para o Porto, cidadezinha que dista (de carro) mais ou menos 320 km da minha terra. Às sextas-feiras saía às 15h30 da plataforma 9 do Porto - Campanhã e chegava a Portalegre às 23h30/0H00... pelo caminho lia-se, estudava-se, conversava-se, ia-se jantar ao Sindicato dos Ferroviários no Entroncamento e esperava-se (muito). No Domingo o plano era o mesmo, mas em sentido inverso. Hoje continuam a existir apenas dois serviços diários, de manhã e à tarde, e o tempo de viagem está entre as 5h30m a 6h - coisa pouca, portanto.

A estação de Portalegre está, desde os meus tempos de faculdade, fechada; dizem que não havia gente, mas eu (e outros) lembramo-nos de vir empilhados, sentados no chão. Há turistas (espante-se!) que chegam a Portalegre de comboio e é vê-los, entre o pasmo e o delírio, a percorrerem os 11 km, que distam a cidade da estação, a pé (tb já não há autocarros, quem quer chama um táxi).

De Coimbra e para Coimbra, nesses anos e hoje ainda, o comboio era/é a única opção. Os serviços de camionagem fazem escala em Lisboa.

Quem podia ia fugindo e vai fugindo a estas opções: vai-se de carro ao Entrocamento, apanhar o comboio, ou ao cruzamento do Perdigão, apanhar a camioneta de Castelo Branco, vai-se de carro até ao destino, quando se pode.

Falo do Porto e de Coimbra porque os experenciei, mas e Bragança, e Faro, e Freixo de Espada à Cinta?!

Os países do centro da Europa têm TGV, pois têm sim, senhor. Os países do centro da Europa são pequeninos como Portugal. Os países do centro da Europa têm comboios e autocarros que permitem movimentação fluída e equilibrada no seu território. Os países do centro da Europa têm comboios a parar em aldeias pequenininhas. Os países do centro da Europa têm comboios que não são topo de gama (mm os TGVs) mas que andam mais depressa, são mais limpos, confortáveis e com melhor serviço que o SUD Express, por exemplo. Para os comboios dos países do centro da Europa posso comprar bilhetes na internet mesmo quando a minha viagem atravessa vários deles.

Acho que ficamos muito bem servidos se o projecto do TGV avançar, mas ficaremos ainda melhor se também pensarmos com seriedade nas ligações 'intercidades' do nosso jardinzinho, se pensarmos num serviço ferroviário a sério e se investirmos num médio-projecto bem-feitinho. Estou em crer que os estudantes dos Politécnicos espalhados por todo o interior ficariam agradecidos.

E é por isto que fico nervosa. Por isto e por não poder convidar o Sr. Primeiro Ministro a ir a Portalegre de comboio regional ou de carreira.


(*'Ou talvez não' porque no fundo, no fundo, do meu nervoso e da minha candidatura está o desespero da interioridade e o ver a minha cidade a apagar-se.)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A pergunta.

A pergunta é simples. "Considera Portalegre uma cidade boa para viver?"

A resposta também. "Sim" ou "Não".

Ganham os 'nãos' com um resultado esmagador: 10258 votos*. Dos que votaram, apenas 2625 escolheram o 'sim'.

Faço parte desta minoria (como de tantas outras) e amiúde me vejo rodeada de gente que, a cada passo e sobre toda e qualquer temática, me diz 'não valer a pena'. Não valer a pena ficar, não valer a pena inovar, não valer a pena trabalhar, estudar, investir... a lista não tem fim.

Há dias em que quase me sinto tentada a concordar. De facto não é fácil viver ou querer viver, num sítio em que tanto passa ao lado, em que se tem a sensação de se estar fora do tempo, fora das opções, posto de parte. A tentação é, no entanto, breve.

Vale a pena. Vale a pena percorrer a cidade a pé e descobrir as suas histórias, e os seus cheiros. Vale a pena viver numa cidade em que a proximidade e a convivialidade são o motor dos dias. Vale a pena sempre que se olha a Sé e se percorrem as calçadas daí à Praça da República. Vale a pena descer a Rua do Comércio e subir ao Tarro. Vale a pena olhar a Serra e senti-la a abraçar a cidade.

Não se tem tudo é certo, eu cá queixo-me da cultura, outros queixam-se do comércio, das ruas, da agricultura, da educação; mas vale a pena trabalhar para que se possa ter 'quase tudo'. Vale a pena trabalhar. Vale a pena pelo menos tentar.

*A população de Portalegre é de 23879 habitantes (INE, 2008). Os votos 'não' representariam (se o inquérito tivesse legitimidade estatística) 43% da população.

Gente

Gente que inspira. Gente com quem se aprende.
Isabel Alves Costa (1946-2009)